sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Neste ano

Talvez, falte o ar neste momento ou reproduza uma cena gravada na memória. Por quê? Essa noite não foi tão vazia assim, mas como nas outras restaram apenas lembranças de um momento bom. Lá estava novamente sentado em um canto esperando alguma canção que dissesse tudo sobre a gente. Aqui refiro exclusamente a primeira pessoa do singular. As emoções foram confundidas pela razão. Quem sabe pudéssemos sair correndo pela avenida, pular entre um bloco de concreto e uma fresta do chão. O uso de alguma droga facilitaria tal como o retorno de um sonho ainda não esquecido. As horas foram preenchidas com palavras soltas que aos poucos re- afirmaram o gosto pelo comodismo do dia-a-dia. Esperança? Muito fácil quando a comida está na mesa e o sono não é interrompido pelo pesadelo do futuro. O amor poderia estar aqui, mas também seria um sentimento para permanecer da inércia. Prefiro as coisas simples, deixar tudo acontecer em seu tempo e evitar aquilo que lá no fundo sei que levará a uma estrada com um final pré- determinado. Quero família, quero filhos, quero casa no campo. Ver o mundo pelas estrelas e sentir dentro do meu corpo o calor de cada astro. Tornar minha corporeidade pelo toque da existência retirando assim qualquer marcar de uma liberdade corporal conquista como objeto, consumo. Dessa maneira, minhas fantasias ganha espaço contra os fantasmas corporais que habitam a lógica do binário, do concreto e do prazer pelo prazer. Quero sentar no quintal em uma manhã de sol com o corpo rente ao seu, esquentando daquilo frio produzido debaixo das cobertas, ir descobrindo cada gesto, o gosto dos lábios, o tremor dos pés, a sensação da pupila. Aos poucos sentir a presença do suor: tocar e permanecer ali. Apaixonar- se. Mesmo sabendo que os trilhos do bonde não existam mais. Refiro a um amor construído pela mudança, pelo objetivo de vida. E que esse não está centrando em uma pessoa, em um projeto e uma conquista. E como fechar os olhos e desejar o retorno para o mundo real. Cada cena de amor não seja apenas uma cena de sexo. É romper hierarquias, não ter medo e poder cair no fundo do poço sem nenhuma queda. Assim, a presença de um homem na minha vida torna-se apenas um sonho. Mas, já não importa mais o hoje foi marcado pelo retorno dos anseios de uma criança que ainda perdoa, deseja e brinca...

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