sexta-feira, 11 de março de 2011

Talvez, essa seja a melhor parte da história. Infelizmente, estes corpos estão todos marcados pela desigualdade social. Enquanto, estamos aqui sentados tranqüilos com nossos personagens ali de cima, reunidos nos cantos dos becos novos homens espalham seus sonhos e velhos meninos já brincam de acender cigarro. São nossos malandros que re-inventaram do nosso “jeitinho brasileiro” uma forma de prolongar suas vidas. Desfilamos diante deles com sorriso – boca meio aberta - naturalizamos a violência, justificamos erros históricos protegidos pela ciência, nos muros do condomínio e nas fronteiras do corpo. Erguemos diante do espelho a inocência e a moral, grandes estereótipos corporais. Já não se sabe onde começa o herói e termina o bandido. Onde está à fantasia, o fetiche, o medo? Não existem janelas para as mulheres, os negros não estão entre os brancos e os gays só tem espaço entre os ativos. Tudo é lento e calmo: quando você não está entre eles. E aonde entra a melhor parte da história? Antes eu apostaria no processo revolucionário, falaria que a vida é feita de opções e incentivaria cada um a tomar partido. Mas, não! Hoje misturo a eles e quase perco a diferença. A fraternidade da direita mistura-se com a igualdade da esquerda, diante o estranhamento (nojo, a saudade do calor e dos objetos de luxo), descubro aquilo que ainda posso ser. Transcender! No outro perco pré- conceitos, avalio o tempo e vou além das aparências. Essa não é verdadeira história, mas é a história que escolhe para mim e que vou contar para teus netos.

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