sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Para Rahan ....

Gosto de deixar a janela aberta nas noites de frio para sentir aquele arrepio, simplesmente para sentir a ausência do calor...ir dormindo aos poucos com frio,sabe? Aquela sensação de estar completamente gelado, ir quebrando o queixo com os pés rentes ao corpo?
Pois bem, é o frio.
Talvez, seja uma vontade de não sentir a sensação de morte e ao mesmo tempo ter a certeza que estamos muito próximo a ela.
Estar ali colado na cama, tentando ser apenas mais um objeto com o coberto, transformando cada segundo em martírio. Não, não! Estou vivo.
É um egoísmo tão grande (Aquela coberta é minha). Não emprestaria para ninguém aquele momento meu e até mesmo aquilo frio.
Sim. Aquele frio é meu também, sou eu.
O tempo vai passando e com frio acostumando. Aprendo que a vida também é propriedade. Talvez, não seja assim tão particular.
(E esse medo dela ser pública?)
Com o frio vem a vontade de não estar sozinho contraindo aquele desejo egoísta de ter o frio só pra mim.
Perder aos poucos o arrepio e ganhar noutros.
Não acho que as noites frias sejam boas para ler um livro. Acho patético ficar com a janela fechada ouvindo Betânia com chocolate quente. Na verdade acho normal e coisas normais não me atraem. Na verdade atraem sim. (Contrapõe esse desejo de revolução! Não daria certo falar de Rui Mauro Marini depois de usar as duas camisinhas).
Quantas vezes desisto de determinar este plano no meio da madrugada. Correr para o banheiro com o chuveiro quente com os fantasmas do relógio da meio noite. Lembrar da prova final e do mecanismo aldosterona funcionando ali perto do meu órgão grosso, mas não dominante.
(...)
Mas, sempre acordo de manhã perdendo a voz, com o cabeceira da cama meio molhada e com a vontade de ter feito tudo diferente.
Poderia ter feito outras opções, deixada a água correr para outro lado e ter dormido sem lembranças tristes.
Acordo vivo com a lembrança da morte em minha garganta.
Volto para vida lá fora, vejo pessoas e lembro que o frio é apenas a ausência de calor.
A noite já é apenas lembrança!







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